Handmaid's News

A evolução de Serena e suas dualidades a levaram a tomar a decisão que tomou


A matéria contém spoilers da segunda temporada

Passamos toda a primeira temporada de The Handmaid's Tale pensando se June escaparia de Gilead. Ela soa como nossa heroína tentando viver sua vida em uma sociedade repressiva. Tanto no livro quanto nos episódios de abertura da série, Serena, que a possui, foi apresentada como uma mulher cruel que a segura enquanto é estuprada regularmente. Mas a adaptação do Hulu tem lentamente se desviado dessa visão. A segunda temporada fez os fãs começaram a fazer uma pergunta diferente: Serena vai escapar de Gilead?

É interessante notar que uma das coisas mais vistas nas adaptações de livros para séries atualmente é que as histórias que são contadas estritamente em primeira pessoa, de repente, ganham uma perspectiva tridimensional, à medida que a câmera cria uma visão de terceira pessoa da situação. Em The Handmaid's Tale, a perspectiva em terceira pessoa permite que Serena assuma uma vida própria fora da visão de June sobre ela como uma mulher que é cruel e má. Na primeira Temporada, ficou claro que Serena estava tão aprisionada no novo mundo quanto June. O fato dela ser conivente no estupro de June era tão carregado de inveja da fertilidade da aia quanto a própria miséria reprimida que a vida dela havia se tornado.

Agora a série também se aproveitou em dar a Serena um passado como escritora e mulher envolvida na política. Ela é colocada no controle quando o comandante Waterford foi ferido na explosão, ao menos até ele se recuperar. Mas a punição que o Comandante Waterford lhe deu foi uma chance de explicar quão abusivo todo o sistema é para as mulheres, e colocar Serena em um estado mental de reprimir o desejo de escapar antes da viagem ao Canadá.

O rosto de Serena Joy olhando pela janela do carro em toda aquela liberdade no trajeto do aeroporto para o hotel diz muito. Essa era a maneira como o mundo costumava ser. Mulheres, em grupos, sem vigiantes, mandando mensagens livremente em seus celulares. Homens e mulheres publicamente apaixonados e felizes, sem restrição alguma.

Seu passeio na estufa também atinge um elo fraco. Embora a mulher com quem ela conversa tenha um pouco de inveja da capacidade de Serena de passar tanto tempo nos hobbies que ama, Serena é tão ciumenta da ideia de ter um trabalho que isso se torna um chamado, já que isso era sua vida antes de Gilead aparecer. Em vez de escrever ou ler, agora ela tricota com um sorriso frágil.

Isso tudo leva a grande cena de suspense quando Mark, da delegação americana, oferece a ela a chance de escapar. Eles podem levá-la em um voo para o Havaí em uma hora. Ele explica que estão fazendo pesquisas sobre a infertilidade, que não são mulheres e sim os homens os problemáticos. Mark oferece ajuda e que podem consertar seus ovários, dando a ela a chance de ter sua própria vida e um filho dela, ao invés da que tem em Gilead e de ter que se submeter a tais condições para conseguir um filho que nem ao menos será dela.

E Serena não aceita isso. Na verdade ela recusa com veemência e quando retorna a Gilead, vira as costas para tudo o que vê, jogando cigarros e fósforos da marca havaiana dados por Mark na lareira. A questão agora não é mais apenas se June vai escapar. Ela ainda pode se afastar, ter o seu bebê, agora que ela soube que Moira conseguiu. Mas a verdadeira questão é quanto tempo mais Serena ficará nesta gaiola sem saída em que ela foi colocada, ou se ela também irá comandar sua própria prisão, que é o que indicam os spoilers do próximo episódio