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Margaret Atwood, conheça a autora de The Handmaid's Tale

Margaret Atwood

Conheça a autora que tornou-se um ícone pop

Margaret Atwood completou nessa semana 78 anos, um momento oportuno para exaltar seu trabalho que vai muito além de The Handmaid's Tale.

O ano 2017 foi especial para a autora, que teve dois trabalhos adaptados para a televisão, Alias Grace (veja nossa crítica) da CBC com a Netflix e The Handmaid's Tale do Hulu premida com oito Emmys.

Atua como romancista, poetisa, contista e ensaísta sendo reconhecida por obras traduzidas para várias linguas e reconhecidas mundialmente. Em 2001 foi incluída na Canada's Walk of Fame de Toronto. Tem inspiração para seus trabalhos em contos de fadas europeus e mitologias euroasiáticas, muitas obras vieram ainda de experiências pessoais na Universidade de Toronto.


As personagens nas obras de Atwood são conhecidas pelo grande sofrimento que enfrentam. Mas isso não significa que elas sejam passivas. Em uma entrevista para o The New York Times, Atwood explicou que a inspiração para suas personagens vem da vida real. "Minhas mulheres sofrem porque a maior parte das mulheres com quem eu converso parecem já ter sofrido". Acredita que esse tema não é muito discutido porque o sofrimento de uma mulher é visto como algo passivo. Em seus trabalhos mais famosos, as mulheres dos livros triunfam sobre a dor, e se tornam bem sucedidas em suas carreiras (Será que será assim em The Handmaid's Tale?).

Porém ela nega que The Edible Woman, publicado em 1969 e que coincidiu com a segunda onda do movimento feminista, seja feminista e alega tê-lo escrito quatro anos antes do movimento. Atwood acredita que o rótulo feminista só pode ser aplicado a escritores que conscientemente trabalham na moldura do movimento feminista. Em entrevista, Atwood já disse ficar na ponta dos dois extremos. Ela acredita que mulheres não devem ser vistas como inferiores aos homens, mas também não merecem ser vistas com preconceito por escolher ter filhos e um marido.

Biografia

Margaret Atwood Biografia

Nascida em Ottawa, Ontário, no Canadá, Margaret Atwood é a segunda dos três filhos de Margaret Dorothy Killam-Atwood, uma nutricionista irlando-canandense do interior da ilha de Nova Escócia e de Carl Edmund Atwood, um entomologista de Ontário. Graças às pesquisas de seu pai sobre a entomologia das florestas, Atwood passou muito tempo de sua infância próxima às florestas do Norte do Quebec, viajando entre Ottawa e Toronto. Ela só foi à escola em tempo integral quando estava na oitava série. Tornou-se uma leitora voraz de literatura, de livros de mistério, de contos de fada dos Irmãos Grimm e de histórias em quadrinhos. Frequentou o Colégio Leaside High School, em Leaside, Toronto, e formou-se em 1957. Atwood começou a escrever com seis anos, pudera a inteligência.

Atwood decidiu que gostaria de escrever profissionalmente com 16 anos. Em 1957, ela começou a estudar no Victoria College, Universidade de Toronto, época em que publicou poemas e artigos no Acta Victoriana, o jornal literário da faculdade. Jay Macpherson e Northrop Frye foram seus professores. Graduou-se em 1961 no curso Bacharelado em Artes e Inglês, mas estudou também filosofia e francês.


Após ter ganhado a Medalha E.J. Pratt, em 1961, por seu livro de poemas Double Persephone, Atwood começou a estudar no Radcliffe College de Harvard com a bolsa de estudos Woodrow Wilson. Tornou-se mestra pela Radcliffe em 1962 e continuou os estudos de pós-graduação na Universidade de Harvard por dois anos, mas não terminou a dissertação, “The English Metaphysical Romance" ("O Romance Metafísico Inglês"). Lecionou língua e literatura inglesas na Universidade de British Columbia (1965), Universidade Sir George Williams, em Montreal (1967–68), Universidade de Alberta (1969–70), Universidade York, em Toronto (1971–72), entre outras.

Em 2011 recebeu um diploma honorário de Doutora em Literatura da Universidade Nacional da Irlanda, Galway. Em 2012, recebeu um diploma honorário do Royal Military College of Canada. Ela também possui diplomas honorários de várias outras universidade canadenses, assim como da Universidade de Oxford, da Universidade de Cambridge e da Sorbonne. Em 2017 foi indicada ao Nobel de Literatura.

The Handmaid's Tale

The Handmaid's Tale

Um dos livros de maior sucesso de Atwood, The Handmaid's Tale foi lançado em 1985, e desde então nunca deixou de ser publicado. O livro vendeu milhões de cópias no mundo todo. Em um artigo do The Guardian, Atwood escreve: "Alguns livros assombram o leitor. Outros assombram o autor. The Handmaid's Tale fez os dois". O livro tem um teor político muito grande em relação ao controle da vida das mulheres, e se passa em um mundo distópico. O livro chegou a ser banido em escolas, mas originou um filme e até uma ópera. Atwood não concorda com o livro ser uma distopia feminista, porque em uma realidade assim todos os homens teriam mais direitos do que as mulheres. Para ela, o livro na verdade é um sistema ditatorial em que homens e mulheres ocupam lugares diferentes na pirâmide. Atwood diz que não esperava o quanto o livro marcaria a vida de tantas pessoas. "Esse é um livro de entremetimento ou uma profecia política? Pode ser os dois? Eu não antecipei nada disso enquanto escrevia o livro".


The Handmaid's Tale recebeu o primeiro Prêmio Arthur C. Clarke Award em 1987. Também foi nomeado ao Nebula Award de 1986 e ao Prometheus Award de 1987, ambos prêmios de ficção científica. No entanto, Atwood nega a ideia de que The Handmaid's Tale e Oryx and Crake sejam ficção científica. Ao jornal The Guardian, ela afirmou preferir que sua obra seja considerada ficção especulativa a ficção científica. "Em ficção científica tem monstro e naves espaciais; ficção especulativa poderia realmente acontecer." Para ela, a diferença entre ficção científica e especulativa é que a primeira é algo que nós ainda não podemos fazer. E que a segunda, é sobre assuntos que já estão na nossa frente, e que acontecem na Terra.

Quanto a adaptação do Hulu, Atwood ficou surpresa com o prêmio Emmy, ainda que ela esteja trabalhando como assistente de roteiro tanto na primeira quanto na segunda temporada da série. A adaptação veio em um momento em que ficção e realidade se cruzam, 2017 foi um ano conturbado, com Trump nos EUA e uma onda de conservadorismo que fazem a obra de Margaret Atwood ser tão realista.

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Muito obrigado, The Handmaid's Tale Brasil

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